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Menos quilômetros vazios, menos emissões: caminhos concretos para descarbonizar a logística

  • Foto do escritor: Assessoria LogShare
    Assessoria LogShare
  • há 2 dias
  • 5 min de leitura

Insights do painel “Descarbonização na Logística: caminhos concretos para transformar o transporte de cargas no Brasil”, realizado no Fórum ILOS 2026.


Quando falamos em descarbonização do transporte de cargas, a discussão costuma começar por uma pergunta: qual tecnologia substituirá o diesel?


A pergunta é necessária. Eletrificação, biocombustíveis, biometano, renovação da frota e maior participação de outros modais serão fundamentais para transformar o transporte brasileiro.

Mas o painel realizado no Fórum ILOS 2026 colocou outra pergunta igualmente importante no centro da conversa:

Estamos utilizando de maneira eficiente os ativos que já circulam pelas nossas estradas?


Mediado por Pedro Prado, CEO da LogShare, o encontro reuniu Anderson Pinheiro, diretor de Transportes da PepsiCo Brasil; Joice Ribeiro Giacon, professora e pesquisadora da FGV EAESP; e Márcio D’Agosto, presidente do Instituto Brasileiro de Transporte Sustentável.


Painel mediado por Pedro Prado, CEO da LogShare, o encontro reuniu Anderson Pinheiro, diretor de Transportes da PepsiCo Brasil; Joice Ribeiro Giacon, professora e pesquisadora da FGV EAESP; e Márcio D’Agosto, presidente do Instituto Brasileiro de Transporte Sustentável.
Painel Descarbonização no Transporte | Fórum ILOS 2026

A combinação de perspectivas da indústria, da academia e das organizações dedicadas ao transporte sustentável reforçou uma conclusão importante: não existe um único caminho para descarbonizar a logística.


A transformação dependerá de diferentes soluções aplicadas de acordo com o perfil de cada operação. Combustíveis alternativos, novos veículos, infraestrutura, mudança modal, tecnologia, mensuração de emissões e eficiência operacional precisam avançar de forma complementar.


Descarbonizar o veículo e descarbonizar a operação


Um dos principais aprendizados da discussão está na diferença entre tornar o veículo menos emissor e tornar toda a operação mais eficiente.


Um caminhão movido por uma fonte energética de menor impacto, mas que realiza parte relevante de seu percurso vazio, continua representando capacidade logística desperdiçada.


Da mesma forma, um caminhão operando com alta ocupação, mas utilizando uma fonte energética intensiva em carbono, continua enfrentando um desafio ambiental.


A logística de baixo carbono exige atuar nas duas frentes.

Precisamos acelerar a transição energética dos veículos e, simultaneamente, melhorar a forma como os ativos são utilizados.


Isso significa planejar melhor as rotas, consolidar cargas, aumentar a ocupação, integrar informações e reduzir deslocamentos que não geram valor para a cadeia.



O quilômetro que não precisava ser percorrido


Todo deslocamento de um veículo exige energia. Quando um caminhão retorna vazio por falta de conexão entre diferentes fluxos logísticos, existe uma perda econômica evidente.

Mas existe também uma emissão que poderia ter sido evitada.


Por isso, a redução de quilômetros vazios não deve ser tratada apenas como uma iniciativa de diminuição de custos. Ela também representa uma alavanca concreta de descarbonização.


Não substitui a eletrificação, os combustíveis renováveis ou a modernização da frota.


Potencializa essas iniciativas.

Quanto maior a utilização da capacidade disponível, maior tende a ser o valor gerado por cada quilômetro percorrido e menor a necessidade de colocar veículos adicionais na estrada para movimentar o mesmo volume de cargas.


Essa lógica aproxima duas agendas que muitas vezes ainda são tratadas separadamente dentro das organizações: produtividade logística e sustentabilidade.


Backhaul como estratégia de eficiência


O conceito de backhaul é relativamente simples: depois de realizar uma entrega, o veículo aproveita seu deslocamento de retorno para transportar uma nova carga.

Na prática, porém, transformar essa possibilidade em uma operação recorrente é bastante complexo.


Um embarcador conhece sua própria malha. Outro embarcador conhece a dele.

As transportadoras possuem informações sobre sua capacidade e disponibilidade.


Muitas vezes, a complementaridade entre essas operações existe, mas permanece invisível porque os dados estão distribuídos entre empresas, sistemas, contratos e processos que não se comunicam.


Além da compatibilidade entre origem e destino, é necessário considerar janelas operacionais, características da carga, tipo de equipamento, requisitos de segurança, documentação, contratos, níveis de serviço e capacidade disponível.


"O desafio não é apenas encontrar uma carga para o retorno. É construir uma operação confiável, executável e sustentável ao longo do tempo".Pedro Prado

Tecnologia para enxergar além da própria malha


É nesse ponto que tecnologia e logística colaborativa ganham relevância.

Quando empresas analisam apenas suas próprias operações, enxergam uma parte limitada da rede. Ao conectar dados de diferentes participantes, torna-se possível identificar complementaridades que dificilmente seriam percebidas de forma isolada.


Um fluxo que termina para uma empresa pode representar o início do fluxo de outra.

A tecnologia permite analisar rotas, capacidades, demandas e restrições operacionais em maior escala. Mas sua contribuição não termina no matching.


Para que uma sinergia logística produza resultados reais, é necessário apoiar toda a execução: contratos, documentos, comunicação entre parceiros, acompanhamento da operação, gestão de ocorrências e mensuração de desempenho.


O valor não está apenas em identificar uma oportunidade.

Está em transformar essa oportunidade em uma operação que funcione na estrada.


Plataforma LogShare proporciona matchmaking de rotas para sinergia entre embarcadores
Plataforma LogShare proporciona matchmaking de rotas para sinergia entre embarcadores

Colaboração exige confiança e governança


A descarbonização do transporte de cargas também depende da capacidade de diferentes agentes trabalharem em conjunto.


Compartilhar informações sobre rotas, volumes e capacidades ainda pode ser sensível para muitas organizações. Por isso, colaboração logística não acontece apenas pela existência de uma plataforma. (Saiba mais sobre a Logística Colaborativa)


Ela exige regras claras, governança, proteção das informações, parceiros qualificados e benefícios concretos para todos os participantes.


A tecnologia atua como uma infraestrutura para essa colaboração, criando visibilidade e coordenação sem eliminar a autonomia de cada empresa sobre sua operação.


Quando existe confiança, um ecossistema conectado consegue utilizar melhor os ativos disponíveis, reduzir ociosidade e ampliar o acesso a novas capacidades logísticas.


 Pedro Prado, CEO LogShare, Anderson Pinheiro, diretor de Transportes da PepsiCo Brasil e  Márcio D’Agosto, presidente do Instituto Brasileiro de Transporte Sustentável.
"um ecossistema conectado consegue utilizar melhor os ativos disponíveis"

Sustentabilidade precisa fazer parte do modelo de negócio


Uma das provocações mais relevantes do painel foi a relação entre sustentabilidade e viabilidade financeira.


Durante muito tempo, iniciativas ambientais foram percebidas principalmente como investimentos adicionais ou respostas a exigências regulatórias.


Essa visão começa a mudar quando a sustentabilidade também elimina desperdícios.

Reduzir quilômetros vazios, melhorar a ocupação dos veículos e conectar operações complementares pode gerar benefícios ambientais e econômicos simultaneamente.

Nesse cenário, sustentabilidade deixa de ser apenas uma linha de custo ou uma iniciativa paralela de ESG.


Ela passa a fazer parte da estratégia operacional.


Quando uma solução reduz emissões, aumenta a produtividade dos ativos e melhora a eficiência da malha, o business case se torna mais consistente e sua adoção pode ganhar escala.



Não existe uma única rota


A descarbonização do transporte de cargas brasileiro será resultado de uma combinação de caminhos.


Precisaremos de novos combustíveis, veículos mais eficientes, infraestrutura, renovação da frota, evolução regulatória e maior participação de modais de menor emissão.

Também precisaremos de melhores dados, integração entre sistemas, inteligência operacional e modelos capazes de promover colaboração entre empresas.


Algumas dessas transformações demandarão novos investimentos, ativos e infraestrutura.

Outras podem começar agora, a partir de uma utilização mais inteligente da capacidade que já existe.


Essa talvez seja uma das mensagens mais importantes deixadas pelo painel do Fórum ILOS.

O caminhão do futuro importa.


Mas o futuro da logística também depende da forma como utilizamos o caminhão de hoje.


Para a LogShare, esse é um dos princípios da Logística Colaborativa: conectar embarcadores, operadores logísticos e transportadoras para identificar sinergias, otimizar fretes de retorno e transformar capacidade ociosa em produtividade.


Porque descarbonizar não é apenas mudar a energia que movimenta o caminhão.

É também utilizar melhor cada quilômetro que ele percorre.


Antes de reduzir a emissão, existe uma possibilidade ainda mais eficiente: evitar a emissão que não precisava acontecer.


Confira esse case de sucesso de sinergia operacional com veículo menos poluente.

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